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    Justiça


    Agentes da polícia do Rio são indiciados pela morte de João Pedro

    Família e testemunhas afirmam que policiais chegaram atirando à casa onde o adolescente e amigos estavam, na Praia da Luz, em Itaoca

     

    Vítima brincava com amigos quando uma operação da polícia chegou à Praia da Luz
    Vítima brincava com amigos quando uma operação da polícia chegou à Praia da Luz | Foto: Reprodução/Twitter


    Integrantes da operação realizada em maio do ano passado em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, que resultou na morte do adolescente João Pedro Matos Pinto, aos 14 anos, três policiais civis da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil foram indiciados pelo assassinato do jovem.

    Mauro José Gonçalves e Maxwell Gomes Pereira devem responder por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar.

    Fernando de Brito Meister deve responder por tentativa de homicídio culposa, porque foi descartada a possibilidade de o agente ter atingido João Pedro.

    Segundo a investigação, "os policiais agiram sob erro quanto aos pressupostos fáticos da legítima defesa, supondo haver uma injusta agressão".

     


    Ao saber do indiciamento, mãe de João Pedro, Rafaela Matos, disse que a conclusão do inquérito policial diminui um pouco da dor da perda do filho, mas que tem ressalvas quanto ao fato dele ter sido feito como homicídio culposo, sem intenção de matar.

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    Fico um pouco feliz porque é uma resposta ao que a gente já sabia e vem falando esse tempo todo. Principalmente de ter vindo agora, nesse mês de junho, quando o João Pedro completaria 16 anos. Só não concordo muito como foi feito porque, desde o momento em que você invade uma casa como eles fizeram, você tem, sim, intenção de matar. Mas vamos aguardar porque ainda vai passar pelo Ministério Público e vamos ver como vai ficar "

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    Os três policiais alegaram que perseguiam traficantes quando entraram na casa onde João Pedro e amigos estavam. A investigação não conseguiu comprovar que houve tiroteio na casa.

    Depois da morte de João Pedro, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, em junho do ano passado, a proibição de operações em favelas do Rio. A permissão se daria apenas para casos "absolutamente excepcionais".

    Mesmo com a proibição em vigor, as operações continuaram. No mês passado, a mais letal da história causou 28 mortes no Jacarezinho. Na terça-feira, Kathlen Romeu morreu durante uma ação policial aos 24 anos, grávida, com um tiro na cabeça. A Polícia disse que vai investigar de onde partiu o tiro.

    Caso João Pedro

    A família e testemunhas afirmam que policiais chegaram atirando à casa onde João e amigos estavam, na Praia da Luz, em Itaoca. O rapaz foi atingido na barriga e levado para um helicóptero.

    Parentes passaram a noite procurando o adolescente em hospitais e só acharam o corpo 17 horas depois, no Instituto Médico-Legal do Tribobó.

    João brincava com amigos quando a operação chegou até a Praia da Luz. Um dos amigos do rapaz afirmou que policiais entraram no terreno e jogaram duas granadas, que detonaram. Na sequência, atiraram nas janelas.

     


    As paredes da casa ficaram crivadas de balas. Nelson Pinto, pai do menino, desabafou após o assassinato.

    infelizmente a polícia interrompeu o sonho do meu filho. A polícia chegou lá de uma maneira cruel, atirando, jogando granada, sem perguntar quem era. Se eles conhecessem a índole do meu filho, quem era meu filho, não faziam isso. Meu filho é um estudante, um servo de Deus. A vida dele era casa, igreja, escola e jogo no celular"

    * Com informações do G1


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