Fonte: OpenWeather

    COMANDO VERMELHO


    Dadinho: saiba quem é o traficante que motivou vandalismo no Amazonas

    Considerado conselheiro do Comando Vermelho, Erick Batista Costa era chamado de 'chefão' por integrantes da facção. Veja o que o EM TEMPO descobriu

    | Foto: Divulgação

    Manaus - O tráfico de drogas está de luto, no Amazonas. A morte de Erick Batista Costa, conselheiro do Comando Vermelho, causou comoção e ataques de vandalismo em diversos locais de Manaus e interiores. O EM TEMPO teve acesso à ficha criminal do traficante e obteve detalhes da sua posição de poder dentro da facção.

    Dadinho foi morto aos 30 anos, no último sábado (5), após reagir a uma abordagem da Rocam, no bairro Novo Aleixo, Zona Norte. Com uma longa ficha criminal que vai de acusações de agressão à mulher, tráfico de drogas e até homicídio, ele era considerado um traficante de alta periculosidade. 

    Erick atuava como conselheiro do CV, uma posição de poder dentro da facção. Ele tinha como missão orientar seus subordinados, os chamados 'líderes' e 'soldados' do tráfico. Quando alguém do grupo precisava ser julgado ou aceito como novo membro, ou mesmo quando se definia quem ia controlar alguma área, Dadinho era um dos que tomava as decisões.

    "Os conselheiros são uma função abaixo do chefe supremo da facção. Quem atua nessa posição divide a cidade por zonas do tráfico. Eles são muito bem organizados", afirma uma fonte policial ao EM TEMPO.

     

    Nas redes sociais, Dadinho é chamado de chefão em posts de membros do CV em luto. Uma das publicações foi feita por uma moradora do Rio de Janeiro, cidade em que surgiu a facção. "CV-RJ está de luto pelo amigo Dadinho que se foi no cumprimento do dever", escreveu o perfil. 

    Vídeo publicado no Facebook após a morte de Dadinho (homem que segura a arma de brinquedo) | Autor: Reprodução
     


    Ficha criminal extensa

    O EM TEMPO teve acesso à lista de crimes que estão no histórico de Erick. A primeira acusação por tráfico de drogas é datada de 12 de agosto de 2009. De lá para cá, Ele acumulou pelo menos 13 processos de Lei Maria da Penha, tráfico e uso ilícito de drogas e homicídio. 

    Dadinho chegou a ser preso em 2 de novembro de 2018,  mas, em 3 de abril de 2019, entrou no regime semiaberto. Apesar de agora morto, ele ainda responde por processos na Justiça, peticionados pelo Ministério Público do Amazonas. 


    A morte do líder

    As primeiras horas de terror que iriam tomar Manaus começaram ainda na noite de sábado (5). Por volta das 20h, quando visitava familiares no bairro Novo Aleixo, Zona Norte, Dadinho foi morto a tiros por policiais da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam). 

    Os PMs souberam da presença do traficante após denúncia anônima via WhatsApp. Quem fez a acusação sabia do poder de Dadinho, pois disse à polícia se tratar de "um líder de facção criminosa portando arma de fogo". 

    O traficante, que era experiente no mundo do crime, percebeu quando a Rocam o avistou. O primeiro impulso de Erick foi entrar em um local fechado e sacar sua pistola da marca Tauros, modelo PT 840. Apesar de disparar tiros contra a polícia, Dadinho foi atingido de volta, resultando em sua captura pelos policiais. Ele ainda foi levado ao Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, mas não resistiu aos ferimentos. 

    Pouco menos de duas horas após sua morte, explodiram posts no submundo do Comando Vermelho nas redes sociais. Páginas da facção, grupos privados, membros, amigos e familiares compartilharam a informação: Dadinho estava morto. 

    Com raiva pela morte que consideraram injusta, membros do CV atearam fogo em praças, ônibus, escolas, bancos e delegacias. Os atos de vandalismo começaram ainda na madrugada de domingo (6) e seguiram até esta segunda. 

     

    Infográfico das ocorrências no AM
    Infográfico das ocorrências no AM | Foto: Giulliano Andrade

    Leia mais:

    David Almeida deve armar Guarda Municipal em Manaus

    Após ataques do CV, visitas estão suspensas nos presídios do Amazonas

    David Almeida compara vandalismo em Manaus com ataque nazista de 1938