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    Mortes


    Em 18 dias, nº de mortes violentas em Manaus bate janeiro de 2019

    A maioria dos crimes está relacionada ao acerto de contas por envolvimento com o tráfico de drogas

    A onda de mortes violentas assusta a população manauara | Foto: Divulgação

    Manaus - Com a morte de cinco integrantes da facção Comando Vermelho (CV), em um confronto policial na noite da última sexta-feira (17), na Zona Sul de Manaus, o número de mortes violentas registrado do dia 1° de janeiro até o início da noite deste sábado (18) chegou a 78 - ultrapassando o índice de janeiro de 2019, quando houve 73.

    A onda de mortes violentas assusta a população manauara e a maioria dos crimes está relacionado a acerto de contas por envolvimento com o tráfico de drogas. Dentre as características das mortes, estão crimes como: torturas, esgorjamento, agressões físicas, lesões por arma branca e também por arma de fogo.

    Ao longo dos primeiros 18 dias do ano, os crimes aconteceram em todas as zonas da cidade e o crescimento dos homicídios aumenta a sensação de insegurança da população da capital do maior estado do Brasil.

    Alguns dos mortos eram detentos do regime semiaberto e monitorados por tornozeleira eletrônica. Na lista aparece Manoel Thiago da Silva Barbosa, de 26 anos, morto a tiros na noite da última sexta (17), no bairro Santo Antônio, Zona Oeste. Ele havia deixado o presídio há um mês e foi morto por criminosos, que chegaram ao local em uma motocicleta.

    A onda de crimes contra mulheres em janeiro deste ano também foi surpreendente. Nesta semana, um dos casos de maior repercussão foi a morte de Miryan Moraes da Cruz, de 21 anos, ocorrida na manhã de quarta-feira (16). A jovem foi morta com nove facadas e teve o corpo jogado em um igarapé no bairro Tancredo Neves, Zona Norte de Manaus.

    Miryan estava grávida de três meses e a família da jovem aponta o namorado dela, identificado como Roberto Brito, como o principal suspeito do crime. O homem era casado e não queria assumir a paternidade da criança.

    Policiais civis da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) informaram ao Em Tempo que um mandado de prisão foi expedido em nome do suspeito e que, na noite de ontem (17), Roberto teria ligado, por volta das 18h, para a mãe da vítima informando que era acusado "injustamente". 

    A mãe de Miryan teria questionado o rapaz que se ele não tivesse envolvimento algum no crime, que comparecesse ao prédio da DEHS para prestar os esclarecimentos necessários. Logo em seguida, ele desligou o telefone. O homem está sendo procurado pelos policiais civis.

    Miryan foi encontrada morta em um igarapé na Zona Norte
    Miryan foi encontrada morta em um igarapé na Zona Norte | Foto: Divulgação

    Nesta semana, além do corpo de Miryan, na última segunda-feira (13), o corpo do vendedor de churrasco Silvio José Gonçalves da Silva, de 38 anos, também foi encontrado boiando em um igarapé, dessa vez no bairro Educandos, Zona Sul de Manaus. Os córregos estão se caracterizando como ponto de “desova” de cadáveres.

    Em coletiva de imprensa realizada na última quarta-feira (16), o secretário de Estado de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), coronel Louismar Bonates, informou à imprensa que, mesmo com o alto índice de homicídios, a situação não fugiu do controle das autoridades policiais.

    “Isso é reflexo das nossas ações intensificadas. Em 11 dias apreendemos mais de uma tonelada de drogas. Sabíamos que isso poderia influenciar em mais crimes, e foi o que aconteceu”, disse Bonates.

    A previsão é que o índice continue subindo, caracterizando um dos meses mais sangrentos dos últimos tempos. Todos os casos de homicídios estão sendo investigados pela DEHS.