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    Revitalização


    R$ 60 mi serão usados em construção de muro na orla de Parintins

    Parintins registra desmoronamentos anuais devido o fenômeno das 'Terras caídas'

    Obra está orçada em mais de R$ 60 milhões
    Obra está orçada em mais de R$ 60 milhões | Foto: Divulgação

    Parintins (AM) - Após o desabamento de dois trechos do muro de contenção da orla de Parintins em janeiro de 2020, a orla da ilha Tupinambarana será revitalizada com a construção do muro de contenção. A divulgação foi feita neste fim de semana pela prefeitura do município.

    Segundo a assessoria da Prefeitura, os recursos são da emenda parlamentar do senador Omar Aziz e a obra está orçada em mais de R$ 60 milhões. Ela será feita de acordo com projetos de arquitetura e engenharia elaborados pelo município. 

    A prefeitura de Parintins afirmou que a construção do muro de arrimo acabará, em definitivo, com os problemas ocasionados pelo desbarrancamento ao longo da costa da cidade. 

    Desde o incidente no início do ano, o município estava em busca de recursos via Governo Federal e Governo do Estado para a construção do muro de contenção nos trechos onde não existe a estrutura. 

    Divulgação das obras aconteceu na última sexta-feira (14)
    Divulgação das obras aconteceu na última sexta-feira (14) | Foto: Divulgação

    Na época, o prefeito Bi Garcia informou que a Prefeitura interviu no trecho em razão da subida das águas. Ele salientou também que as obras iriam acabar com qualquer risco de desmoronamento na área. Toda a revitalização estava avaliada em R$ 2,3 milhões - somando recursos municipais e estaduais.

    “Nós começamos os trabalhos com recursos próprios da Prefeitura. Devemos assinar convênio na próxima semana com o governador Wilson Lima para fazer todo esse trecho do Comunas e fazer a reforma da praça”, garantiu. Relembre casos:

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    A ilha 

    A construção do arrimo - que significa encosto, amparo, proteção ou tudo que se utiliza para dar apoio ou suporte a alguma coisa- na frente da cidade de Parintins foi realizada de maneira fragmentada. Quem iniciou a construção foi o ex-prefeito Gláucio Gonçalves, que esteve na frente da administração da cidade em 1988. 

    O município presencia o fenômeno das “Terras caídas”, dinâmica frequente na região amazônica, que se dá com grandes desprendimentos de barranco. A ilha perde maiores camadas de terra de acordo com a vazante e a cheia do rio Amazonas. 

    O turismólogo Carlos Júnior mora em Parintins há 13 anos e conhece bem a realidade e a história da cidade. 

    Ilha perde maiores camadas de terra de acordo com a vazante e a cheia do rio
    Ilha perde maiores camadas de terra de acordo com a vazante e a cheia do rio | Foto: Jossinéias Farias

    “Nunca tinha sido feita a manutenção desses muros. Tem uma parte em Parintins em que as algumas casas e ruas foram levadas pela força da água. Em Comunas, um lugar muito visitado de Parintins, a comunidade também já sofreu com o desabar desse muro”, pontuou. 

    De acordo com o pesquisador Rildo Oliveira Marques, em sua dissertação apresentada ao programa de pós-graduação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), os moradores perdem parte dos terrenos e correm risco de ter suas casas levadas pela força da água. 

    "A diminuição da propriedade causada pela erosão lateral do rio Amazonas é um dos principais problemas vivenciados pelos moradores da cidade de Parintins. A constante perda de terra leva a mudança de residência, isto porque em área urbana não há possibilidade de projeção do terreno para o fundo ou frente da propriedade sem que haja sobreposição fundiária", explica. 

    O estudo aponta ainda que obras de contenção a curto prazo só pioram a situação do local que precisa estar preparado para a ação da natureza. "Para minimizar o problema, o governo tem utilizado medidas alternativas como a alocação de sacos de areia e cimento, tornando-o paliativo, pois não resistem por muitos anos a ação dos agentes erosivos", ressalta. 

    Ondas monstruosas

    Há quem diga que a cidade de Parintins seja pacata e que sofre pouca interferência. Porém, a natureza se demonstra contrária a este pensamento. Há registros de que em 2007, em uma comunidade rural de Parintins chamada Saracura, ondas de seis metros causaram desmoronamento, destruição de plantações e afetou mais de 100 moradores da ilha.

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