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    Saúde Feminina


    Março amarelo: endometriose requer diagnóstico precoce e tratamento

    Caracterizada pela presença de células do endométrio fora do útero, a doença atinge cerca de 15% de toda a população feminina mundial

    O diagnóstico tardio contribui para o surgimento de complicações
    O diagnóstico tardio contribui para o surgimento de complicações | Foto: Divulgação

    Manaus - Apesar da pandemia do coronavírus ser o centro das notícias durante este mês, o EM TEMPO não poderia deixar de lembrar a mulherada sobre a campanha de conscientização sobre uma doença que afeta milhões de mulheres no mundo inteiro: a endometriose. A campanha Março Amarelo visa levar informação sobre esta que representa uma importante parcela das doenças ginecológicas que atingem mulheres em idade fértil.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose atinge cerca de 15% de toda a população feminina mundial em idade reprodutiva - cerca de 180 milhões de mulheres. No Brasil, são cerca de 7 milhões de casos, o que corresponde a aproximadamente uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva.

    A doença varia de incidência dependendo da região e estilo de vida das mulheres, mas 15% delas podem apresentar o quadro, afirma o ginecologista e obstetra Thiago Gester.

    O médico explica que a doença é caracterizada pela presença de células do endométrio, tecido de revestimento do útero, em outros órgãos da região abdominal, como bexiga, ovários, trompas e parte externa do útero.

    "Para identificar se o incômodo gerado pela cólica  tem a ver com a endometriose, observe sua intensidade e localização da dor, devendo-se suspeitar da presença da doença quando há cólica menstrual intensa, dor durante a relação sexual e dor para urinar no período menstrual, algumas vezes acompanhada de sangramento", explica Gester.

    Além disso, o ginecologista alerta para outros sinais como alterações e dor intestinal no período menstrual, dor para defecar, menstruação irregular, sangramentos aumentado, algumas vezes, em forma de “pedaços” e coloração mais escura em tons de marrom se assemelhando a borra de café e dificuldade para engravidar.

    Segundo o ginecologista da Clínica Penchel, Henrique Barreto, a endometriose pode ser suspeitada clinicamente e identificada por meio de exames específicos, como o ultrassom transvaginal e a ressonância magnética. “Mas é importante lembrar que o diagnóstico definitivo exige um exame cirúrgico capaz de visualizar e biopsiar as lesões, a chamada laparoscopia”, avalia.

    O diagnóstico tardio contribui para o surgimento de complicações, em alguns casos irreversíveis, como a infertilidade - de acordo com o Ministério da Saúde, em 40% dos casos, as mulheres se tornam inférteis. Outras complicações incluem as obstruções intestinais e urinárias, que podem levar à infecção generalizada.

    Saiba Mais

    O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, em fevereiro, a criação do Dia Nacional da Luta contra a Endometriose, comemorado no dia 13 de março, e a Semana Nacional de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose. O objetivo é incentivar ações de prevenção, educação e orientação às mulheres.

    O projeto agora será apreciado pelo Senado Federal. A expectativa dos parlamentares é de que, com o reconhecimento da doença, a partir da aprovação desse projeto de lei, surjam alternativas para a realização de um tratamento efetivo e de qualidade para as mulheres que precisam do Sistema Único de Saúde.

    Importância

    É necessário que as mulheres façam consultas ginecológicas periodicamente. A suspeita clínica de endometriose se baseia na sintomatologia e exame físico. Exames complementares podem ser solicitados para ajudar na decisão terapêutica.