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    Segurança Digital


    Ameaça online: como proteger os filhos dos perigos da internet?

    Especialista dá dicas de aplicativos e outras formas de proteção para crianças que navegam pela web

    Crianças estão suscetíveis a perigos na internet | Foto: Freepik

    Manaus - Em 2019, no Amazonas, mais de 1,6 mil pessoas foram vítimas de crimes cibernéticos. Dentre os principais delitos estão golpes, hackeamentos, difamação e outros tipos de exposição on-line. A informação é da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM). No ano anterior,  2018, O Ministério Público Federal (MPF), junto com a associação SaferNet Brasil, identificou 133.732 queixas de delitos virtuais no Brasil. Entre os crimes estão pornografia infantil, conteúdos de apologia e incitação à violência contra a vida e outros.  A situação se torna pior quando se analisa que a internet é muito utilizada por crianças. Elas representam 24,3 milhões de usuários brasileiros, entre 9 a 17 anos, segundo pesquisa TIC Kids Online Brasil 2018. 

    Apesar das redes sociais, em sua maioria, proibirem menos de 12 anos, não é difícil achar  crianças conectadas. Facebook, Instagram, Youtube e TikTok são algumas das plataformas utilizadas pelos pequenos. Para visualizar melhor os números, a plataforma de dados Iska Digital coletou a idade dos usuários do Instagram. De 16 milhões de usuários da rede social, no Brasil, dois milhões são crianças e adolescentes, entre 13 e 17 anos.

    Para a especialista em educação digital, Fabíola Rebelo, o principal risco que as crianças correm é a exposição. "Não sabemos no futuro quais os danos que isso pode causar, por ainda sermos muito novos no uso de redes sociais. Além disso, o fácil acesso de assediadores e criminosos ao perfil da criança ou adolescentes pode facilitar crimes de pedofilia, entre outros", comenta ela. 

    Ela diz que é importante que os pais monitorem o uso das crianças na internet. "A privacidade dos menores deve receber atenção, pois  é obrigação dos pais o cuidado sobre os filhos. Lembrando que privacidade é diferente de intimidade, e esta sim diz respeito ao modo de ser da pessoa e deve ser preservada", orienta a profissional.

    Aplicativos de controle parental

    Sobre o uso de celular e tablets, Fabíola diz que devem ser configurados para o uso por um menor de idade, até mesmo com instalação de aplicativos de controle parental para evitar que os mesmos tenham acesso a conteúdo inadequado a sua faixa etária. 

    Sem o devido cuidado para uso da internet, as crianças podem ter acesso a conteúdo inadequado para sua faixa etária. Podem também sofrer assédio, ou mesmo uso inadequado de sua imagem. Não se excluem ainda possibilidades de golpes virtuais, com uso de cartão de crédito dos pais. 

    O aplicativo Family Link, da empresa Google, é gratuito e pode ajudar no controle parental. Com o App, responsáveis podem acessar histórico do navegador e saber o que as crianças fazem no dispositivo Android por meio de relatórios de atividades diários, semanais ou mensais.

    O aplicativo também envia notificação para os pais quando a criança quer baixar App na PlayStore, além de permitir gerenciar compras das crianças e ocultar alguns aplicativos. O Family Link ainda recomenda, para as crianças, aplicativos recomendados por professores. O aplicativo está disponível para dispositivos Android e IOS.

    Quem tem criança em casa, sabe que um dos divertimentos é acessar vídeos e mais vídeos no Youtube. Para não correr o risco de cair em conteúdo inadequado, uma opção é baixar o aplicativo Youtube Kids, já configurado para crianças menores de 13 anos. O App  está disponível para dispositivos Android e IOS. 

    Cartilha

    A organização Childhood Brasil, de proteção à infância disponibilizou uma cartilha para ajudar os pais a entenderem melhor a internet e como tomar os devidos cuidados. O documento reúne relatos fortes, como o de William, uma criança de 10 anos. "Eu só queria fazer amigos. Eu pensava que ela era uma garota de 14 anos e não um homem velho de 40 anos". 

    Na cartilha, a organização apresenta aos pais as principais leis que protegem as crianças, como no caso de assédio. O artigo abaixo faz parte do Estatuto da Criança e do Adolescente e é um dos apresentados no documento. Veja:

    - Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente. Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa;

    Além de apresentar leis, a cartilha reúne algumas dicas para que pais possam auxiliar na proteção das crianças. São elas:

    - Aprenda mais sobre a internet e conheça suas possibilidades de uso.

    -Navegue sozinho ou com seus filhos. Peça-lhes que ensinem o que sabem e navegue algumas vezes. Essa é uma boa forma de proteção, pois você não pode lutar contra o que não conhece!

    -Leia sobre o assunto. Existem livros, revistas e sites na internet com informações.

    - Converse com amigos a respeito do assunto.

    - Aja com cautela, sem pânico e sem preconceitos.

    - Não ache que seus filhos estão seguros se passam o dia em casa navegando pela internet

    Acesse a cartilha completa aqui.