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    Dia do jornalista


    Os desafios do jornalismo em tempos de pandemia

    Diante da pandemia, os profissionais da comunicação têm se arriscado para informar sobre doença que já matou mais de 12 mil pessoas no AM. Conheça alguns destes jornalistas na matéria especial do EM TEMPO

    Equipes de rádio, de meios impresso, portal, TV e assessoria trabalham sob nova rotina durante a pandemia da Covid-19 | Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

    MANAUS - Nesta quarta-feira, 7 de abril, é comemorado o Dia do Jornalista, profissional responsável pela produção de notícias dos mais diversos meios de comunicação. Este comunicador tem sido importante neste cenário de isolamento social e pandemia da Covid-19 em que o mundo se encontra. Eles desafiam o autoisolamento para fazer com que a notícia chegue às pessoas e se preocupam com a responsabilidade da informação, driblando a fake News, o medo em contrair o vírus e os impactos psicológicos.

    Em uma realidade em que notícias falsas e desinformação surgem para atrapalhar a luta contra a Covid-19, o Amazonas já perdeu 14 desses profissionais para a doença, segundo pesquisa realizada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) em janeiro deste ano. Segundo o Sindicato dos Jornalistas do Amazonas, esse número aumentou para 16.

    Em material de divulgação da pesquisa, o diretor do Departamento de Saúde da Fenaj e coordenador do relatório, Norian Segatto, prestou condolências às famílias das vítimas e destacou que os números de mortes dos jornalistas comprovam o que a sigla já afirmava anteriormente, que é a necessidade de os profissionais de imprensa serem reconhecidos como linha de frente.

    "Os jornalistas estão na linha de frente do combate à Covid-19 com a cobertura da pandemia, por isso mesmo estão vulneráveis. Esse é o motivo pelo qual a Fenaj orientou os Sindicatos de Jornalistas a solicitarem aos governos estaduais/municipais a inclusão da categoria entre os grupos prioritários para a vacinação", escreveu a federação, no anúncio da pesquisa. 

    AM 2º estado com mais mortes de jornalistas

    O relatório produzido pela Fenaj, em janeiro, aponta que o Amazonas é o segundo estado com mais mortes de jornalistas por covid-19. O número é o mesmo em São Paulo, o que gerou uma observação por parte da Fenaj.

    "Chama atenção os números do Amazonas, que tem uma população dez vezes menor que São Paulo (4,2 milhões contra 44,6 milhões). O estado tornou-se, a partir de janeiro, símbolo da falência dos poderes públicos, em especial do governo federal, no combate à pandemia", observou a federação dos jornalistas.

    O Sindicato dos Jornalistas do Amazonas disse estar tentando com o Governo do Amazonas a vacinação da categoria. “Desde janeiro deste ano estamos articulando com o governo a vacinação dos profissionais da imprensa, uma vez que o trabalho de divulgação tanto jornalístico, quanto institucional (dos assessores de comunicação e imprensa) não parou nem mesmo com o crescimento da pandemia”, relatou o presidente do sindicato do estado.

    Na linha de frente do AM

    O jornalista Lúcio Pinheiro é uma das pessoas que não parou nessa pandemia. Assessor de imprensa na Secretaria de Estado de Saúde (SES), ele conta que este está sendo o maior desafio da sua carreira. “Não há dúvida de que o momento atual, de pandemia, é o mais desafiador. É desafiador enquanto cidadão e também na atuação profissional, considerando que a tarefa de comunicar com responsabilidade, em um cenário de crise sanitária mundial, pode fazer uma informação errada levar pessoas a tomarem decisões que podem custar danos à saúde”.

     

    Lúcio Pinheiro precisou visitar hospitais para a produção materiais jornalísticos
    Lúcio Pinheiro precisou visitar hospitais para a produção materiais jornalísticos | Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/Raphael Alves

    Saindo muitas vezes para coletar informações, a também jornalista Gisele Rodrigues chegou até a contrair o vírus. "Não sei se foi atuando ou não, mas tudo ficou mais difícil com a pandemia. A assessoria que eu trabalhava passou a receber cerca de 300 a 400 demandas de veículos não só de Manaus e do interior, mas também de veículos de outros países, como foi o caso de demandas da Rússia e da Turquia”, conta ela.

     

    Gisele Rodrigues entrevistando um médico, profissional da saúde
    Gisele Rodrigues entrevistando um médico, profissional da saúde | Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

    Encarar os efeitos psicológicos e continuar produzindo

    Além dos desafios logísticos, temporais e de exposição à própria doença, os profissionais da comunicação também encaram consequências psicológicas e emocionais. Atuando pelo EM TEMPO, o fotógrafo e cinegrafista Brayan Riker, produz conteúdos audiovisuais desafiadores. Ao mesmo tempo em que precisa ser forte diante do perigo de ir para as ruas, ele também fica feliz em informar a sociedade seja por meio da foto ou vídeo.

     

    Brayan Riker (primeiro da esquerda para a direita) mostrou a realidade de municípios do interior do Amazonas diante da pandemia
    Brayan Riker (primeiro da esquerda para a direita) mostrou a realidade de municípios do interior do Amazonas diante da pandemia | Foto: Waldick Júnior

    “Eu já tenho um histórico de ansiedade e estar de frente com a pandemia me fez ver situações tristes acontecerem. Famílias perdendo seus entes queridos e eu ali perto, escutando o choro de muitas pessoas, pessoas orando e pedindo por saúde. Tudo está sendo desafiador", revela.

    O jornalista do EM TEMPO, Waldick Júnior, sentiu a pandemia diretamente. Ele escrevia uma matéria sobre a situação em que o Amazonas vivia, quando teve que lidar com a perda da sua avó. 

     

    Para o jornalista, a coincidência só pode ser interpretada como um exemplo da ligação entre o trabalho da comunicação e o lado pessoal do profissional
    Para o jornalista, a coincidência só pode ser interpretada como um exemplo da ligação entre o trabalho da comunicação e o lado pessoal do profissional | Foto: Arquivo Pessoal

    "Na época, o Amazonas registrava 'apenas' 19 óbitos pela doença, sendo que 15 deles eram na capital. Os números eram graves e eu sabia disso, porque estava trabalhando com os dados diariamente enquanto repórter do Em Tempo. Minha própria avó estava entre as vítimas. Foi doloroso", contou ele

    Para o jornalista, a coincidência só pode ser interpretada como um exemplo da ligação entre o trabalho da comunicação e o lado pessoal do profissional. “No meu caso, retratar os números da pandemia, infectados, mortos, isolamento social, etc, sempre me lembrará que vivi isso também como amazonense. Como ser humano”.

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