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    Racismo


    Em dois anos, Rede Carrefour foi palco de três tragédias

    A rede de supermercados tem sido noticiada, de 2018 para cá, por brutalidade de funcionários

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    Às vésperas do Dia Nacional da Consciência Negra, homem de 40 anos é espancado até a morte por funcionários da empresa
    Às vésperas do Dia Nacional da Consciência Negra, homem de 40 anos é espancado até a morte por funcionários da empresa | Foto: Divulgação

    Manaus – Esporadicamente, a rede Carrefour tem sido noticiada por atitudes de funcionários ou de contratados terceirizados contra pessoas e animais, em diferentes locais do Brasil nas dependências de suas lojas. O mais recente aconteceu às vésperas do Dia Nacional da Consciência Negra, na última quinta-feira (19). João Alberto Freitas, 40 anos, foi morto depois de ser espancado por dois seguranças, no estacionamento de uma das unidades, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

    Após o ocorrido, a loja informou, em comunicado junto ao portão, que a unidade estaria fechada pelo incidente e que a empresa estaria tomando as medidas para punir os envolvidos pela morte do homem. Freitas foi levado até o estacionamento pelos seguranças depois de uma funcionária reclamar do cliente, alegando que o mesmo estava discutindo com ela.

    Em seu Twitter, o ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Gilmar Mendes, lamentou o homicídio. “O Dia da Consciência Negra amanheceu com a escandalosa notícia do assassinato bárbaro de um homem negro espancado em um supermercado. O episódio só demonstra que a luta contra o racismo e contra a barbárie está longe de acabar. Racismo é crime!”, lastimou. Mendes também aderiu à hashtag #VidasNegrasImportam.

    Cadela Manchinha

    Porém, esse não foi o primeiro caso de violência. Em novembro de 2018, um segurança do supermercado foi flagrado espancando a cadela Manchinha até a morte, na unidade de Osasco, em São Paulo. O caso repercutiu nacionalmente e o Carrefour recebeu uma multa no valor de R$ 1 milhão. Destes, R$ 500 mil foram destinados para esterilização de cães e gatos, R$ 350 mil para a compra de medicamentos para animais do hospital veterinário de Osasco ou ao canil municipal e R$ 150 mil para a compra e entrega de rações para associações e ONGs, cuidadoras de animais.

    Corpo isolado

    Um outro episódio que chocou foi a frieza da rede de supermercados em Recife, no Pernambuco, ao cobrir o corpo do representante de vendas Moisés Santos, de 53 anos, com guarda-sóis e caixas. O corpo do funcionário foi isolado enquanto o local continuava em funcionamento, como se nada tivesse acontecido. Santos sofreu um infarto em agosto deste ano.

    Casos em Manaus

    De janeiro a maio deste ano, sete casos de racismo e injúria racial foram registrados. Em relação ao mesmo período de 2019, 13 casos foram detectados, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

    O fisioterapeuta Afonso Celso, de 54 anos, sofreu insultos racistas na praça de alimentação de um shopping de Manaus no dia 12 de novembro. Ele pretende processar a autora das agressões que, segundo a Polícia, ainda não foi identificada. O caso ocorreu na praça de alimentação do Shopping. Ele explicou que voltava para a mesa em que estava lanchando com a família, quando esbarrou na bolsa da mulher.

    Só nos primeiros cinco meses deste ano, sete casos de racismo foram identificados em Manaus
    Só nos primeiros cinco meses deste ano, sete casos de racismo foram identificados em Manaus | Foto: André Moreira

    Outro caso ocorreu na madrugada do dia 25 de junho. A universitária Dayse Brilhante, de 22 anos, foi agredida com socos, pontapés e puxões de cabelo enquanto passeava com o cachorro no condomínio onde mora. A jovem denunciou à polícia que foi agredida por vizinhos supostamente embriagados, que faziam uma festa no local, e que foi vítima de comentários racistas antes e durante as agressões.

    Dados nacionais

    De acordo com o levantamento da Atlas da Violência 2020, divulgado em agosto deste ano, assassinatos de negros aumentaram 11,5% em dez anos, enquanto os de não negros caíram 12,9% no mesmo período. A taxa de mortes de negros nacionalmente foi de 34 para 37,8 por 100 mil habitantes entre 2008 e 2018.

    Os estados que concentraram as maiores taxas de homicídios contra pessoas negras estão nas regiões Norte e Nordeste, com destaque para Roraima (87,5 mortos para cada 100 mil habitantes), seguido por Rio Grande do Norte (71,6), Ceará (69,5), Sergipe (59,4) e Amapá (58,3).

    Veja a nota do carrefour:


    Veja o vídeo sobre a morte de um homem negro em uma loja do Carrefour no Rio Grande do Sul:

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    *Com colaboração de Ellany Vlaxio

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