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    Covid-19


    Em Manaus, pandemia provoca mudanças em casas de candomblés

    Muitos terreiros em Manaus estão enfrentando dificuldades para manter o funcionamento durante o período de isolamento social

    Casas de religiões de matriz africana enfrentam a pandemia sem apoio de políticas públicas
    Casas de religiões de matriz africana enfrentam a pandemia sem apoio de políticas públicas | Foto: Divulgação

    Manaus – Com a chegada da pandemia da Covid-19, diversas pessoas têm buscado alternativas e enfrentando desafios diante da prevenção. A preocupação também chegou às casas de candomblé, que chegaram a suspender cultos e celebrações para evitar aglomeração, as religiões de matrizes africanas estão entre as que passaram por mudanças para manter o funcionamento.

    Alberto Jorge, que têm 33 anos como sacerdote de matriz africana, e é coordenador geral da Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de Matriz Africana (Aratrama), conta que o local tem passado por dificuldades desde o início da pandemia com falta de recursos.

     maior dificuldade do momento tem sido manter o terreiro em funcionamento
    maior dificuldade do momento tem sido manter o terreiro em funcionamento | Foto: Arquivo Pessoal

    “Falta de recursos financeiros para a manutenção da instituição e das obras assistenciais e caritativas para pessoas em situação de vulnerabilidade social e risco alimentar e nutricional. O apoio do Estado é o mínimo, das mais de 20 toneladas de alimentos, material de higiene e limpeza, fritas, legumes, verduras, apenas 1 tonelada e meia. Todo o resto foi por meio de doação da sociedade civil, via doações”, relata.

    O Pai de Santo diz que os locais, apesar de terem um caráter voltado para família, também prezam pela prevenção à doença. “Os Terreiros são templos, é fato, mas possuem um caráter, um entendimento de família, as famílias vivem em casas. Desde que começou a pandemia os atendimentos são individuais, com hora marcada, uso de EPI”, explica.

    Tempos difíceis

    Edson Martins, conhecido no Brasil e em Portugal por Babalawo Ifamurewa, tem 25 anos de caminhada dedicados aos Orixás e afirma que os tempos durante a pandemia não foram um dos melhores.

    Enfrentar a pandemia do novo coronavírus tem sido um desafio para sacerdotes e sacerdotisas de ancestralidade africana
    Enfrentar a pandemia do novo coronavírus tem sido um desafio para sacerdotes e sacerdotisas de ancestralidade africana | Foto: Arquivo Pessoal

    “Depois que essa pandemia começou, os atendimentos passaram a ser controlados e por agendamento antecipado, mas muitas pessoas ficaram e ainda estão com medo desse vírus, mas em termos gerais, não houve alteração na quantidade de atendimento, muito pelo contrário, pessoas nos procuravam para buscar proteção espiritual. O Estado, tanto federal como estadual, tem sido um tanto omisso não apenas com a religião, mas com o povo de uma forma geral”, disse.

    O Babalawo explica que o local funciona com os devidos cuidados para a saúde dos participantes. “Os atendimentos às pessoas que nos procuram são feitos de duas formas: virtualmente, através de videochamadas, quando o ritual permite a distância e presencial mediante o uso de máscaras e álcool gel”, explica.

    Cenário da Covid-19 no Amazonas

    Foram registrados 305 novos casos da doença na capital, conforme boletim diário divulgado na última segunda-feira (9) pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM). Sendo 284 detectados por testes rápidos, 45 na capital e 239 no interior.  Foram confirmados 2.949 óbitos, sendo 1.695 no interior.

    Religião que resiste

    A palavra candomblé é derivada das palavras “quimbundo candombe” – dança com atabaques e o termo ioruba “ilê” (casa). A religião de matriz africana em diversas partes do Brasil tem praticantes, o candomblé conta com deuses que são chamados de orixás, que dependendo do ritual podem ter danças, roupas e oferendas diferentes. Os rituais podem ser matriarcais, patriarcais e mistas, que são realizados em terreiros.

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